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sábado, 7 de maio de 2016

A Esperança

Foto: Sissym

Há dias que temos a impressão de que chegamos no fim do caminho.
Olhamos para frente e não vislumbramos mais saída. 
Não há uma luz no fim do túnel, e não há também nenhuma possibilidade de volta. 
Parece que todos os nossos projetos, nossos objetivos, foram levados para bem distante, e estamos sem possibilidade de alcançá-los. Parece mesmo que o outono da existência fez com que secassem as nossas esperanças e o vento forte do inverno varresse das nossas mãos todos os sonhos acalentados. A morte vem e arrebata os afetos da nossa alma deixando-nos o coração dilacerado. 
Sentimo-nos perdidos. 
Não sabemos que rumo tomar. 
Ficamos atônitos. 
Sentimo-nos como uma árvore ressecada, sem folhas, sem brilho, sem motivo para viver. 
É a desesperança. 
De repente, como acontece com a natureza, a primavera muda toda a paisagem. 
As árvores secas enchem-se de brotos verdes, e logo estão cobertas de folhas e flores. tom acinzentado cede lugar às cores verdes de tonalidades mil. 
É a esperança. 
Os entes caros, que nos antecederam na viagem de retorno à Pátria Espiritual, um dia estarão novamente junto aos nossos corações saudosos, num abraço de carinho e afeição. 
Tudo em a natureza volta a sorrir. A relva verde fica bordada de flores de variados matizes, as borboletas bailam no ar, os pássaros brindam-nos com suas sinfonias harmoniosas. 
Tudo é vida. 
Assim, quando a chama da esperança reacende em nosso íntimo, nossos sonhos desfeitos são substituídos por outros anseios. Nossos objetivos se modificam e o entusiasmo nos invade a alma. 
Jesus, o Sublime Galileu, falou-nos da esperança no Sermão da Montanha, com o suave canto das bem-aventuranças. Exemplificou-a nos Seus ditos e feitos. Enfim, toda Sua mensagem é de esperança. Se formos visitados por qualquer dissabor e o desespero nos tomar de assalto, busquemos o nosso Amigo Maior, Jesus, através da oração. 
Predispondo-nos pela prece, a ajuda chegará certamente, como suave bálsamo a penetrar nas fibras mais íntimas do nosso ser, dando-nos alento e tranquilidade. 
Se a desesperança acercar-se de nós, lembremos o Amigo Celeste a nos dizer: 
Meu fardo é leve, meu jugo é suave. Se Seu jugo é suave, por que não O aceitamos? 
Se Seu fardo é leve por que não O conduzimos? 
Consideremos que o rigor do inverno pode ser o resultado da nossa falta de cuidado, submetendo-nos ao jugo da mentira, da ambição desmedida, do pessimismo,das queixas sem fim... 
Ou talvez a desesperança resulte da nossa própria insensatez, carregando o pesado fardo dos prazeres inferiores, do orgulho, do egoísmo, da ganância, dos vícios de toda ordem, e de outros tantos fardos inúteis que nos sobrecarregam os ombros destroçando-nos as forças. Dessa forma, em qualquer circunstância, deixemos que a esperança nos invada a alma, confiantes em Deus, que sempre nos dá oportunidades novas para refazermos caminhos, buscando a nossa redenção. 
A esperança deve ser uma constante em nossas vidas. 
Esperança de melhores dias; esperança de realizações superiores; esperança de paz. 

* * * 

Narra-se que um monge que vivia da mendicância, sem abrigo, recolheu-se numa gruta para o repouso noturno em bela paisagem banhada de luar. Adormeceu, veio um bandido e lhe furtou a capa de que se utilizava como agasalho. O frio da madrugada despertou-o e, dando-se conta do infortúnio, porém fascinado pela claridade da lua, aproximou-se da entrada da gruta e, emocionando-se com o que viu, exclamou: Que bom que o ladrão não me furtou a lua! E sorrindo, pôs-se a meditar. Desesperar, nunca! 

Redação do Momento Espírita

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