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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Decadente Sistema de Saúde

Recentemente eu coloquei vários posts falando de Rodrigo Kopke, o rapaz que tomou um tiro na cabeça perto de minha casa e do notável atendimento em hospital público, digo, Miguel Couto. Só que nem sempre isso acontece. Eu penso que Rodrigo teve um somatório de sorte proveniente de todas as ações casadas bem sucedidas.

Em 1983, uma amiga sofreu um acidente de moto e foi levada em estado grave para o mesmo hospital. Não podia ser removida para um particular por causa de uma hemorragia. Eu me recordo que não havia água e por dias ela permaneceu completamente suja de sangue, não era possível fazer a sua higiene. Assim que pode ser transferida, ela saiu de lá e sobreviveu sem sequelas.


Em 1985, a minha irmã sofreu um acidente de avião e foi encaminhada para o Miguel Couto. Naquela época também não havia água. Se não fosse um Brigadeiro para dizer que ela ia com os demais sobreviventes para o Hospital da Aeronáutica, hoje ela estaria morta. Os médicos deram alta a ela. Ela foi a pessoa mais ferida no acidente e para piorar a situação, bactérias terríveis estavam dominando seu sistema imunológico. Só para terem idéia, quando entrava numa sala de cirurgia no Hospital da Aeronáutica, tinha que ser a ultima operação do dia e depois a sala era imediatamente lacrada para esterilização especializada.

Em 2005, a minha tia Cristina, voces já leram posts sobre ela no Blogzoom, caiu na rua. Ela sobreviveu em 1984 a 2 aneurismas cerebrais, 20 anos depois a outro abdominal. Em fins de 2005 caiu desmaiada na rua e foi levada ao Hospital Miguel Couto que negligenciou o diagnóstico, disseram que ela não tinha nada. O hospital particular para onde foi transferida fez uma tomografia e "o nada" nada mais era do que o 4° aneurisma (outro cerebral) e um traumatismo craniano. Milagrosamente, como tudo na vida dela, não pode mais operar devido a idade, passados 5 anos ela ainda está viva.

Em 2010, precisamente na quinta-feira passada, a minha diarista sentiu-se mal. A pressão estava muito alta e ficou desnorteada. Eu liguei para 192, depois da médica conversar comigo e com ela ao telefone concluiu que era melhor mandar uma ambulância na minha casa. Os 3 paramédicos eram calmos, atenciosos e atentos. Decidiram levá-la para o Miguel Couto. Diante deste fato, após colocar minha filha na escola, eu iria até o hospital Miguel Couto para saber dela. Nem precisei, no meio do caminho, 12 horas depois, ela estava voltando com os lençóis e travesseiro debaixo do braço:

- Cheguei lá, fiquei jogada num canto a noite toda, nada fizeram comigo. Só os médicos da ambulâncias que me trataram. Eu me danei, peguei as minhas coisas, vim embora e ninguém notou que saí - falou com total indignação.

Ou seja, depende da equipe, depende de quem está ali, depende de fatores para ter a sorte de viver ou morrer. Esta é a situação do serviço de saúde que temos. É assustador.

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17 comentários:

  1. A coisa está feia nos UBS é pior ainda!

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  2. Amiga Sissym, a saúde pública é uma grande vergonha mesmo. Hoje, se você não tiver um bom plano de saúde, daqueles que cobrem todas as suas despesas, você acaba morrendo nas filas dos atendimentos dos pronto-socorros. Uma grande calamidade isso. Abraços. Roniel.

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  3. Olá Sissym,
    São fatos a dar medo em qualquer criatura.
    Por muito tempo esbravejei contra os maus salários e da péssima qualidade dos materiais que eles têm à disposição para trabalhar, dando total e incondicional razão aos profissionais da área.
    Evidente que não mudei meu pensamento. Os salários continuam baixos, demais, as condições de trabalho ínfimas. Contudo, depois de conhecer mais de perto alguns profissionais, percebi que muitos deles se desdobram para fazer a maior carga de horário possível, e quase impossível, para aumentar o ordenado ao final do mês. Esses profissionais acabam tratando os pacientes, seu ganha-pão, a quem jurou salvar a vida a qualquer custo, como se fossem objetos inanimados. Sem nenhum comprometimento com a profissão que escolheu para exercer.
    Enfim, se as condições de trabalho e salários são ruins, os profissionais da área estão muito aquém do que deveriam ser. E segue-se o círcuo vicioso e maldito.
    Parabéns pelo post!!!

    Um forte abraço!

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  4. A saude no geral está assim,ir para um hospital sem plano de saude é ariscara sorte.

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  5. Oi Sissym, que saudade do seu blog e de seus ótimos textos...
    realmente, precisamos de muita sorte se precisarmos do atendimento público no Brasil...
    procuro refletir sobre isso na hora do voto....
    abs

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  6. Amiga é assustador mesmo a saúde pública deste país!
    Em que mundo vamos parar!
    Me desespero só em pensar!

    Beijossssss.........

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  7. Sissy my dear,
    Here in the U.S. we have very good hospitals, but those without health care coverage, (insurance), it can be VERY expensive! There are programs and assistance for the needy, but the average person without insurance suffers. I'm glad that everyone mentioned in your post survived. It can be very scary when you put your life in the hands of someone who only cares about money. It is similar to going to an auto mechanic. We trust them to tell us what is wrong and hope they can fix it. But at what cost? Maybe if health care was done for the love of humanity rather than for profit, we could all feel better going to the hospital.
    I always say the best way to stay healthy is to - stay out of the hospital!
    Love, Craig

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  8. A desassistência é cada vez maior.

    Nossos políticos só se interessam em defender os interesses dos grandes empresários e empresas.

    Enquanto a sociedade não se mobilizar para defender os interesses do cidadão comum, a saúde no Brasil ainda irá piorar muito.

    Um abraço.

    Drauzio Milagres

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  9. É muito comum isto acontecer...um total descaso com a saúde da população humilde...vc sabe dizer se sua diarista faz acompanhamento médico para controlar a hipertensão?Se não faz oriente-a a procurar um PSF quanto antes para que ele não necessite passar mais por tal situação.
    Bjos

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  10. Eu tenho uma amiga que faz mais de 1 ano que ela não consegue uma vaga no leito para se operar.

    Ela precisa retirar um tumor que tem 70% de chance de se transformar em câncer.

    A pouco tempo fez outro exame e o problema se agravou para mais um mioma e um hematoma no útero.

    A saúde pública está um caos, infelizmente.

    Abs

    Sheila Fonseca.

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  11. Sissym,

    É assustador o atendimento do sistema de saúde pública, mas os planos de saúde também não são muito diferentes. Certa ocarisão, fiquei quase três horas para internar a minha mãe que tem plano de saúde.

    Beijocas

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  12. É realmente um páis que sediara uma copa do mundo!! ainda tem um sistema de saúde completo, gosto muito de futebol mais nesse caso não, eu acho que tem coisas muito mais importantes a fazer antes de uma copa do mundo, construindo estadiose reformando com milhôes que ainda saem do nosso bolso e no exemplo o que estamos falando aqui "SAÚDE". mais fazer o que, só o dia que se jurtamos para um melhor. abraço
    escrito por fabinhoadrena
    Site: http://worldcicle.blogspot.com
    14 horas 32 minutos atrás

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  13. A saúde realmente está em situaçao muito difícil e com perspectivas remotas de soluçao, no curto prazo, porque nao se observa mais preocupaçao alguma com a busca dessa soluçao, sobretudo, nos corredores dos hospitais, onde mais deveria ocorrer a preocupaçao.

    Eu sempre digo que nao adianta equipamentos e estrutura física adequada se nao existir, com clareza, objetivos pessoais, filosofia de trabalho, ritual próprio para a funçao. É preciso antes de tudo compromisso com a vida e é isso o que mais sinto falta quando observo as instituiçoes de saúde e os acontecimentos que patrocinam, diariamente.

    Pessoas que fazem exames e quando vao buscar resultado descobrem que foi feito o exame errado. Aí, os profissionais que realizaram o trabalho com imperfeiçao, em vez de tratar imediatamente de corrigir o problema, simplesmente, agem como se o erro fosse do paciente e mandam ele, novamente, para a fila como se ele tivesse chegado ali, pela primeira vez, nesse dia. É uma irresponsabilidade e uma falta de humanidade inadmissivel em profissionais da saúde. Como resolver isso? Confesso que nao sei, porque eu sou acostumado a dirigir pessoas e isso nao é comportamento de pessoa normal.

    Existe gente, com essa visao da atividade que exercem, em todas as partes da estrutura pública de saúde. Absoluta falta de compromisso com a ética do serviço público que devem prestar ao paciente.

    Soluçao difícil porque se trata de uma cultura da irresponsabilidade e mudar cultura é algo complicadíssimo. O pior é que nao é possivel trocar as pessoas que têm essa cultura porque todas sao estáveis, o que torna tudo ainda mais difícil.

    Vamos precisar de muito tempo para resolver isso, sobretudo, com o paradigma atual.

    escrito por CaetanoSr
    Site: http://OpinAtivo.dihitt.com.br/
    21 horas atrás

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  14. Concordo com o Sergio, é um efeito domino, as veses voce chegar no local de trabalho, e nao contar com material adequado, roupas pra trocar leitos, ate soro, ai voce faz o que? Quando da pra improvisar, nem todos compreendem que o funcionario nao tem culpa, pois esta na mesma ponta da corda, ou seja, a fraca.E tem dias que voce pede pra nao ocorrer emergencia no setor, pq a coisa ai fica pior ainda.Essa e a realidade em muitos hospitais, mas ainda assim, muito profissional, merece um premio.

    escrito por Senhordavida
    Site: http://senhordavidatarot.blogspot.com
    21 horas 46 minutos atrás

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  15. Eu tive sorte todas as vezes que precisei de hospital público para emergência.

    escrito por LeilaF
    Site: http://leilafranca.blogspot.com
    23 horas 2 minutos atrás

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  16. Olá Sissy,

    Tenho acompanhado por aqui, já que minha esposa trabalha em hospital particular, o caos do sitema público de saúde, tem amigos nossos que trabalham em hospitais públicos e nos narram os absurdos de lá..

    Abraço

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  17. Acho tudo isso realmente assustador. Minha irmã diz que a morte no Sistema Único de Saúde é um procedimento natural no Brasil!
    Que bom que nenhuma das pessoas envolvidas nos fatos vieram a falecer.
    A saúde pública vai mal, muito mal. E quando precisamos de ajuda, o medo é não conseguir realmente ajuda por falta de competência e recursos.

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Recados: sissym.mascarenhas@hotmail.com
Obrigada