Thanks for your visit. Comments or contact: sissym.mascarenhas@hotmail.com

domingo, 24 de janeiro de 2010

Casos como Islaine x Hipocrisia da Sociedade




Certa vez uma amiga, vou chamá-la de "Ana", que foi vítima de violência doméstica, disse que somente entende o que aconteceu quem já passou por isso. Era melhor evitar falar do assunto com os outros.

O que tenho reparado é que algumas pessoas não sabem o que dizer por nunca ter visto algo de perto, outras por se esquivarem mesmo, até no sentido de serem omissas. Além de que pensam que a "Lei" faria e aconteceria... porque os "direitos"... ficam batendo nas teclas... as mudas.

"Ana" contou algo que foi de amargar: um casal, "supostos" amigos, a levaram ao IML para ser examinada e obter laudo da perícia. Passados poucos dias do ocorrido, ela reparou que a amiga estava esquisita, distante, se afastando. Então, muito que sem graça, esta amiga desabafou que o marido a proibiu de chegar perto novamente, porque "Ana" era um mau-agouro. E por incrível que pareça, outros amigos também saíram de perto. Ela nada pedia a ninguém, timidamente apenas se poderiam indicá-la para um trabalho, porque estava fora do mercado há anos. Ela ficou desolada, porque tudo aconteceu como um turbilhão, olhava para o lado e tinha um pequeno filho para criar.

A tal amiga, antes de evitá-la definitivamente, confessou que o marido era meio "rude demais" e ela tinha certo receio dele. Ou seja, ele provavelmente era um agressor também e ter alguém por perto que deu seu grito de liberdade poderia ser, na verdade, um estimulador para a mulher sair debaixo de um teto opressor.

A blogosfera tem apresentado matérias sobre a questão da violência, contribuindo para levar informação às vítimas e/ou seus parentes do que se fazer, outras vezes consolamos quem nos procura para desabafar, porém ainda não surtiu efeitos na esfera da justiça. Aos poucos, com o tema sendo discutido continuamente, os leitores vão tendo a idéia aterrorizadora da realidade que muitas famílias vivem.

O descaso judicial é terrível, não bastam existirem as Leis, elas precisam ser respeitadas e aplicadas. Algo que eu sinto como uma falha crucial é não ter um indicador nos processos nas Varas de Família, tipo um carimbo, que aponte que ali tem um caso que começou com violência doméstica e a vítima pode estar sofrendo algum abuso psicológico, especialmente os filhos.

As maiores perdas que temos, além das vidas que se vão como de Islaine, são as afetivas. Quando mães, reporto Sandra Peres, Maria de Fatima (e outras tantas que desejarem ter seus nomes aqui), para não morrerem, ou saem de perto deixando seus filhos com seus algozes ou continuam apanhando, até só Deus sabe quando, para não os perderem.

Outro fato incrível, menciono a conivência dos familiares dos agressores. Quantos pais e mães, ou irmãos, sabem que seus filhos sempre foram um problema - seja no trato social, seja com drogas e bebidas? Como permitem e co-participam de chantagens psicológicas contra mulheres, utilizando algumas vezes dos netos e/ou sobrinhos, para a finalidade doentia de um ex-conjugue?!

Ahhh, mas voces pensam que só os familiares dos agressores são coniventes?! Não!!! Onde estão os familiares das vítimas que costumam dizer que "nunca percebi", "você nunca disse nada" ?! Os amigos que criticam e são os primeiros a sairem de perto, esquecendo que a próxima vítima pode ser qualquer um deles ?!


O que fazemos ou deixamos de fazer hoje será repetido amanhã por alguma criança!

  • Eu sei de um caso real que uma garotinha viu seu pai quase estrangular a mãe, e por pouco ela não morreu ali. Meses depois, a criancinha repetia o mesmo com seu animalzinho de estimação.

A sociedade brasileira precisa mudar de mentalidade e atitude para compor um futuro melhor.

* Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.

- João 15, 12


* Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”

- Mateus 22, 35-38


Compartilhe esse artigo:

Related Posts with Thumbnails Related Posts with Thumbnails

13 comentários:

  1. Neste exato instante, um casal de namorados briga sério em frente a minha porta. É Carnaval, provavelmente, como são jovens, estão bebados. Nem minha porta se salva... estou atenta!

    ResponderExcluir
  2. Olá!

    As pessoas deveriam ser mais compreensivas e buscarem o entendimento. Entretanto, sabemos que em muitas situações ninguém quer perder algo que para elas é extremamente valioso. Então, fica muito difícil evitar que fatos lamentáveis ou até mesmo terríveis ocorram.

    Abraços

    Francisco Castro

    ResponderExcluir
  3. Obrigada Sissym por lembrar de mim, sofro muito com a distância dos meus filhos, além de um amigo que me ajudou muito, alguns até tentaram,mas tem suas vidas e só eu mesma poderia fazer algo por mim.

    Fiz o que tinha dew ser feito e ainda assim não tenho o apoio da minha familia nas minhas decisões, já ouvi de tudo, desde que eu procurei por isso, ou que eu mereci, e que se estou sofrendo hj deveria ter pensado antes de sair de casa.

    Tento reverter essas criticas a meu favor, ficando mais forte e trabalhando mais, pra logo voltar a morar com meus filhos.

    Beijão

    ResponderExcluir
  4. Sissy my dear, I will always stand beside you and try to be your comfort. Many years of abuse can never be erased from the memory but where there is love there is hope for a brighter future. Happy Valentines day! Love, Craig

    ResponderExcluir
  5. Sissym,

    É o que eu costumo dizer: a genética não nasce como algo pronto e imutável. Os pensamentos e emoções muda os genes. Prova disso são os casos de câncer (nada mais do que uma falha mutável em células antes sadias) com causas psicossomáticas.

    Violentos traumas e impressões muito negativas podem, sim, causar mutações nos genes das crianças, provocando doenças e passando o "sangue ruim" aos filhos deles.

    As agressões (ou a tendência psicológica a elas) passa ser algo quase que hereditário, herdado.

    Parabéns pela matéria e pelo vídeo. Ainda vou pesquisar uma maneira efetiva de "balançar as palafitas" dessa casa mal-arrumada em que vivemos...

    Bjs!

    ResponderExcluir
  6. Olá amiga Sissym, fiquei abalada com o vídeo. A violência não tem limites, as crianças que as presenciam aprendem e terminam por desrespeitar os pais. As que mais sofrem são as mulheres. Tem um velho ditado a pessoa é vítima de seu próprio meio.

    Bjão.

    ResponderExcluir
  7. Sis,

    O que dizer a você?

    Você bem sabe que minha irmã Ivete sofreu violência por parte do seu último companheiro, que não é o pai dos seus filhos. E mesmo quando estava com câncer e fazendo quimioterapia, sofreu agressões, e ele bateu nas costas dela com uma tesoura de cortar grama aberta, ou seja, ela ficou literalmetne com a marca no formato de um X nas costas.

    Nesta época eu ainda cursava a faculdade de Direito, e escrevi um artigo sobre A Violência Contra a Mulher. Vou publicá-lo aqui no dihitt.

    Não podemos ter vergonha de denunciar maridos ou companheiros, mas devemos incentivar a todas as mulheres que façam isso, pois é a única forma de começar a combater essa violência física e moral.

    Parabéns pelo artigo.

    Bjs.

    Rosana.

    ResponderExcluir
  8. Sissym, já falei algumas vezes aqui que minha irmã já trabalhou em uma ong para proteção de violêcia doméstica.... por acompanhar o trabalho dela e ser por vezes voluntária em alguns casos, sei exatamente como a justiça pode ser falha e injusta.... mas também afirmo que vi muitas mulheres lutarem e sairem vencedoras, seja por elas ou por seus filhos.... aqui temos um caso de uma mulher que lutou muito e com o apoio desta ong conseguiu mudar uma lei estadual, que hoje vigora e funciona!
    O trabalho é árduo, mas precisamos mostrar a estas mulheres que não podem se calar, devem falar, reagir.... a força delas juntas com certeza atrairá soluções no judiciário.....
    Não vamos desistir de lutar, não vamos lutar por nós, mas pela causa.... e amiga, já me envolvi com casos em que fui ameaçada, mas ao não me render a ameaça venci!
    Beijo enorme no seu coração

    ResponderExcluir
  9. Olá Sissy,

    Vasculhando minhas informações mentais descubri um caso de conhecidos, eles eram pessoas legais, conviviamos tranquilamente até o dia em que a esposa denunciou na policia a prática de agressão por parte do marido. Foi choque olhar para o rapaz com um perfil de agressor.. Nós não nos afastamos deles, eles que depois de o caso das agressões ficaram públicas se afastaram e nem sei hoje se permanecem juntos..

    Tudo muito triste verem estas agressões por parte de quem deveria (também) manter a harmonia do lar.

    Abraço

    ResponderExcluir
  10. Sis, isso é horrivel. Mas sabe que o futuro depende de nossas crianças, logo eslas que vão "liderrar" o mundo, e vendo isso como será?
    Vejo que a violência em muitos casos vem de dentro das casas, da falta de amor e respeito com o próximo.
    Infelizmente isso sempre existiu e creio que continuará por mauito mais tempo... isso se não piorar...
    Infelizmente.

    Bjs, ju
    Saudades de vocês!

    (via dihitt)

    ResponderExcluir
  11. Nossa, dá um aperto no coração... De medo!

    Eu, particularmente, tenho pavor de brigas, gritos, estas coisas. Na minha casa, ninguém grita!

    O vídeo é forte, mas as imagens nada deixam a desejar da realidade. Espero que algumas pessoas se sintam tocadas e vejam o mal que podem espalhar através do seu filho.

    Bjs

    Val

    ResponderExcluir
  12. Olá querida Sis,

    Assisti ao vídeo e fiquei estarrecida.
    Uma dor no peito, literalmente....dor que não passa.
    Fico pensando...
    todas essas leis...
    tudo que já conversamos...
    de nada adianta...
    nada se resolve...
    o tempo passa...
    a angústia aumenta...
    O QUE FAZER???
    COMO AJUDAR???

    Esse vídeo deveria ser divulgado nos canais de TV onde a "massa" da população assiste. Como fazer para ser transmitido, a fim de conscientizar as pessoas como devem agir para não "deformarem" o caráter dos filhos?
    Quem tem acesso aos meios de comunicação?
    Existe uma ONG que poderia fazer esse encaminhamento?
    Você tem conhecimento para encaminhar o vídeo e até outras campanhas direcionadas nesse mesmo sentido?
    Vê, minha linda fadinha, só tenho perguntas e perguntas e perguntas....
    Sinto um nó na garganta por não saber o que fazer..., ainda mais sabendo de casos assim.
    Quando não se tem ciência de fatos reais, não há sofrimento. Mas, sabendo, quanta angústia!

    Diga o que posso fazer, amiga.

    O caso da Maria de Fátima, deu certo a cartinha? Ela está conseguindo arrecadar algum dinheiro? Conseguiu algum resultado? Até mesmo melhorar sua autoestima?

    Viu, estou novamente a fazer perguntas...

    Mostre-me um caminho, meu anjo.

    Estou com as mãos atadas e não gosto de me sentir assim...impotente...fico muito triste...

    Beijos. Abraço-a, com carinho...Lilian

    ResponderExcluir
  13. Lilian,
    1) O mundo virtual dos blogueiros tem tentado o máximo colaborar, mas é muito difícil uma adesão maciça porque na verdade a maioria fala muito e faz pouco por quem na verdade precisa.

    2) Sobre Fatima: eu tentei pedir ajuda à uma mulher atuante na área jurídica - ela nao fez nada por mim, talvez até tenha culpa pelo que deu errado com meu processo criminal - pensei que por outra ela se sensibilizasse. Contudo, ela pediu que só ligasse para ela para assunto "grave".

    3) Ou seja, aqui neste país, só é salvo quem tem dindin e conhecimento, o resto é o resto.

    4) Chego a pensar se não seria aqui o inferno.

    Beijos

    ResponderExcluir

Recados: sissym.mascarenhas@hotmail.com
Obrigada