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quinta-feira, 26 de março de 2009

Somos Perfeitos

Eu sempre desejo falar sobre isso,converso muito comigo mesma sobre esta questão:

- Obrigada, meu Deus, por eu ser perfeita!







Eu não sei dizer a quanto tempo olho as pessoas ao meu redor, observo silenciosamente, como se vestem, andam, gesticulam. Se andam, vêem, falam. Após o nascimento de minha filha, que trouxe uma surpresa inesperada, um defeito no pezinho esquerdo, eu pude ver mais claramente como a vida é valiosa.

Ela nasceu às 11h34min de uma terça-feira. No começo da manhã seguinte eu ainda nada sabia sobre as condições de saúde dela. Eu fiquei sozinha no quarto, minha mãe foi visitar a neném no berçário, o pai não havia chegado nem o médico. Comecei a ouvir, cada vez mais e mais alto, o choro desesperado de um homem. Por quase 15 minutos eu dividi com ele a dor, sem nunca ter o visto nem falado. Claro, de repente eu estava numa simbiose, porém presa na cama; onde estaria minha mãe e o porquê da demora de todos?! Eu comecei a chorar muito até que meu médico veio e começou a me acalmar.

Eu ouvi tudo, o homem do quarto ao lado perdeu o filho que nem chegou a nascer, por erro médico. Dois dias antes ele estava bem, vivo no útero, contudo o cordão umbilical o sufocou, foi isso que ouvi durante os infindáveis minutos.

À noite, a enfermeira me convidou a trocar a primeira fralda foi quando eu vi. Eu engoli o choro, tudo que me veio naquele momento era a enorme sorte de tê-la linda e viva. Uma sindactilia unindo dois dedinhos, segundo e terceiro. Felizmente há ossos distintos e unhas, um dia poderá operar.

O milagre da vida é nascermos perfeitos. O que há dentro da gente é um mistério. Os diabéticos, cardíacos e outros portadores de doenças incuráveis, adorariam ter aqueles dois dedinhos grudados no lugar da sua enfermidade.

Ela nasceu num verão escaldante. Após 02 meses eu andei para mais longe com ela, fui até a padaria. Quando cheguei lá encontrei uma mãe de menino que logo me perguntou qual a idade da minha filha. Nós tínhamos crianças nascidas no mesmo mês e ano. Eu nada perguntei e ela começou a se desculpar, explicando que como veio abraçar a maternidade tardiamente parou de fumar, teve uma vida regrada, tomou as vitaminas devidas, porém no 5º dia de nascido o filho precisou de uma intervenção cardíaca. Estava ali com pontos no minúsculo peito aos 02 meses de idade. Ela ainda frisava que agora ele ia ganhar peso, crescer, e eu o achava enorme, cumprido e bonito.

Eu ouvi tudo o que ela necessitou desabafar e saí introspecta, porque era exatamente assim que eu "me desculpava" sobre o defeito dela, como se eu tivesse alguma culpa quando na verdade não. Algum fator genético vindo do pai, que tem também um defeito no pé, um pouco diferente, deve ter influenciado. Isso não importa.

Todavia, devemos valorizar nossas vidas. Aqueles que não vêem, ouvem ou falam, sempre conseguem que outro sentido seja realçado. Os paraplégicos também desenvolvem habilidades em outra parte de seus corpos. Vemos nas Paraolimpíadas uma lição de garra e perseverança.

Quando assisti a primeira Paraolimpíada eu senti orgulho de todos e vergonha de todas as minhas reclamações e obstáculos “inventados’. Eles simplesmente, a cada apresentação, eles nos dão uma lição de vida e coragem.

Então, meus irmãos, somos perfeitos, com alguns probleminhas que poderiam não existir, mas perfeitos. Antes de cada um dormir, agradeça a Deus pela graça de suas e nossas vidas.

(por Sissym)

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7 comentários:

  1. Erros médicos são terríveis. Sei bem disso.
    Mas quanto a sua reflexão, realmente reclamamos por muito e erradamente. Do que precisaríamos reclamar não fazemos, mas, cosa fare...

    Beijo

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  2. Que Deus a abençoe... Um ótimo final de semana para vc.

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  3. Se os homens chegasem a conclusão que voce chegou, todos seríamos mais felizes. Parabens pelo texto.

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  4. Sissym,
    Você experimentou e expressou a mesma coisa que senti quando, há cerca de dois anos assisti um video que mostrava uma mãe cuidando do seu bebê nos mínimos detalhes. Fugia à regra o fato dela não ter os dois braços.
    http://www.youtube.com/watch?v=19YOa7XjsgU
    Na mesma semana recebi outro video por email. Agora era o de um agricultor brasileiro, também sem os dois braços, que vivia a sua vida "normal" e, entusiasmado com ela, falava até em casamento.
    http://www.youtube.com/watch?v=2Z-sYl1c560
    E ainda para completar aquele homem é meu xará.
    Reconheci que estava faltando para com Deus a minha ingratidão. Por mais difícil e delicado o momento que estava vivendo, nada justificaria diante dEle o pensamento de que minha vida não ia bem. Mesmo recém saído de uma internação de quase um ano.
    Daquele dia em diante passei a experimentar algo novo no coração e, aos poucos, fui retomando a alegria de viver e estar vivo.
    Pode até soar estranho abrir meu coração desta maneira, mas foi o que experimentei e consegui superar.
    Por isso é importante compartilhar nossas experiências de vida.
    Amei o post!
    Abraço,
    Regly

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  5. Sissym,

    Realmente valeu a pena você ter indicado esse artigo que você escreveu muito bem!

    Você é Jornalista, formada em letras, coisas assim?... o texto é informativo, reflexivo, confortador e ao mesmo tempo instigante.

    Mais uma vez obrigado.

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  6. Sim, eu sou formada em jornalismo, letras, secretariado executivo. Bjs e Obrigada.

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Obrigada