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quarta-feira, 25 de março de 2009

Por que chamadas de MALUCAS?

Com alguns assuntos rolando nos bastidores, eu me lembrei de uma passagem na minha vida, pesquisando na minha constante sede de aprender encontrei a mesma ocorrência em livros escritos por psicanalistas conceituados.

Em 2007, depois de passar pelo Jecrin (Juizado Especial Criminal) - referente a Lei Maria da Penha, eu tive uma entrevista com uma Assistente Social; quando ela estava do lado de fora da sala, continuou a conversar comigo. Então uma senhora de idade, bem vestida, cabelos brancos, disse:

- Ah sei, chamou-lhe de maluca!

Eu olhei para ela e perguntei:

- Como a senhora sabe do modo que continua me tratando? - eu pensei que ela trabalhasse ali.

- É porque todos nos chamam assim depois que os denunciamos, o meu ex-marido também fala assim.

Ou seja, ela era, naquela idade avançada, outra vítima de violência.

Em tudo que eu devorei em termos de literatura do gênero encontrei até situações piores, somos acusadas de características impróprias. O agressor reverte e distorce o crime, mostrando uma aparência sã perante a sociedade, quer afirmar que ele sim é uma pessoa normal e sociável e a mulher a pessoa desequilibrada. Se nós vítimas estivermos sós, sem sustento familiar, então naufragaremos, porque o ano pós denúncia é totalmente avassalador. Neste ínterim podemos apontar os verdadeiros amigos, se estivermos desamparadas financeiramente, o abismo está a um passo adiante.

Não desejo falar agora da Lei Maria da Penha, os leitores amigos já devem ter percebido que eu tenho total aversão a usá-la, não exatemente por ser contra, a idéia é valida, mas num país de justiça favorável, parcial, ficamos vulneráveis e colocamos em risco nossas vidas e especialmente o lado psicológico dos filhos.

O que me trouxe a escrever este artigo é a possibilidade de algumas mulheres se tornarem vulneráveis sofrendo, simultaneamente, a sedução de um único homem. Quando o macho é pego e elas decidem se unir, há um jogo de sair pela tangente e salve-se quem puder. As mulheres ficam um tanto inseguras sem saber até onde há solidez, enquanto umas ainda mais apaixonadas podem criar resistência. Do outro lado, o homem sedutor é capaz de ser dissimulado, para cada uma contar um fato, inclusive confidencializando que a "adversária" é maluca, deprimida, carente, etc.. Este homem também pode ser alvo de intrigas, claro decorrente de suas investidas desenfreiadas e infantis, a ponto de sofrer perda de orientação e culminando no vilipendio de sua credibilidade.

Eu passei na pele e tenho verdadeira repulsa sobre ser chamada de maluca. Digo que penso muito antes de usar esta palavra. Até brincando eu hesito. É um termo doloroso e o sentimento é comparável a ter uma doença incurável ou epidêmica.

É completamente impossível pedir àqueles que estão lendo isso que evitem intitularem qualquer pessoa deste adjetivo, embora seja muito comum, pode ser captado como maldoso e ferino.

Eis uma das máscaras dos seres humanos.

Voltarei a falar mais de assuntos ligados à violência contra a mulher.



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4 comentários:

  1. Nossa! Nunca tinha visto por este prisma, provavelmente por não ter vivenciado alguma coisa parecida com o que você viveu.
    Chamar de maluca uma pessoa lúcida como você?!... Isso me parece coisa de psicopata.
    ABÇão

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  2. eu tenho evitado de falar da violencia contra a mulher por que acho que elas devem se defender. vejo nas vilas onde presto assistencia, as mulheres levando porrada por um prato de comida. homem nao presta - homem sem cultura presta menos ainda. eu jamais toquei numa mulher pela covardia mas muitas vezes algumas mereceram porradas ( um belo par de chifres..etc...)...algo estranho...dormindo com o inimigo...quando vi uma vizinha decepar o penis do marido e atirar na calçada vi que eu estava certo. a justiça somente funciona contra nós e quanto queremos algo temos que nós mexer por conta propria - as pessoas de bem sempre vao ser espezinhadas e marginalizados pois o mundo de hoje é dos criminosos- infelizmente é assim...malucos e malucas - todos somos. abraços

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  3. Amiga,...

    Olha, me uno a você por ouvir termos sem nexos vindo de pessoas de nosso convívio (esclareço: marido).

    Olha, já fui vítima dessa violência. mas graças a Deus, conseguimos (eu penso - mas aconteceu uma vez há mais de ano) depois de uma ótima conversa, acertarmos as arestas. E dei uma chance, mas espero não acntecer de novo.

    Um abraço, com sabor de jasmin.

    Lena

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  4. Todas as leis são passíveis de contestação por ambas as partes envolvidas, e não seria diferente com a Maria da Penha, entretanto acho que não devemos desistir jamais de lutar por nossos direitos.

    A violência contra a mulher é um ato de covardia e deve ser exemplarmente julgada, para que o fulano não a repita nunca mais.

    Quanto ao adjetivo, tens marcado por ter sido dito de forma pejorativa, pois como disse o André, malucos somos todos, só que somos malucos beleza, a maluquice de que foi acusada, está na cabeça da maluca que te disse.

    Cris

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