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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Andanças Virtuais: Eles falam demais também


Nesta 5a.feira pp encontrei-me com uma grande amiga dos tempos de faculdade, fomos num animadíssimo Happy Hour.
Nós duas tínhamos ficado uns 5 anos sem nos comunicar, ela morando em outro país, eu noutro, pra lá, pra cá, enfim, através do Orkut nos reaproximamos. Voltamos a nos falar, sair, divertir, como se não nos encontrássemos a apenas um mês! Coisas de amigas.
Uma das últimas vezes, ela me convidou para um lançamento de livro no Palácio da Cidade (foi interessantíssimo, além de reencontrar outros tantos amigos) e depois esticamos até o Instituto Moreira Salles para a inauguração da exposição do fotógrafo, já falecido, Alécio de Andrade (simplesmente divino).
Naquele dia tinham muitas pessoas no Instituto, mal dava para se andar, travei novas amizades e me diverti o quanto pude.
Voltando ao nosso Happy Hour, reencontrei algumas daquelas novas amizades que conheci na Gávea, RJ. Uma delas logo se recordou de mim:
- E o livro, não?! Que coisa, nunca vou esquecer!
Sim, imaginem que fui ao toillete no Instituto, carregava um livro enorme ganho no Palácio, lavei as mãos, as sequei e.... onde está?! Uma garota teve a ousadia de pegar e eu sabia quem era, só tínhamos nós duas lá dentro... e ao sair, as demais que estavam me aguardando do lado de fora também a viram... essa história fica para outra hora.
Voltando ao papinho, olhei para a cara dela, expressão facial tipo "pois é"! E lancei:
- E aquele caso mal resolvido da internet?!
Oba! Hora de distrair! Vamosl lá! Num site de amizade ela conheceu um "cara legal". Eles tinham realmente algo muito em comum, exceto morarem longe. Ela aqui no Rio e ele em Belo Horizonte (apenas 439Km de distância). Umas 6 horas de carro ou 1 de avião. Nada que telefonemas, MSN ou torpedos não resolvessem.
Mas aqueles olhos outrora faiscantes, ao falar deste suposto "amor", estava agora muito reticentes, meio tristes:
- Ele era muito envolvente, mas só falávamos durante a semana, chegava fim-de-semana sumia!
- Então era casado.
- Não. Isso não era. No início até me ligou em alguns fins-de-semana.
- E...?
- Foi só eu começar a ligar que ele começou a se esquivar. Ou seja, ele ligava e falava quando bem entendia; na 3a. vez que eu liguei para ele já fui "taxada" via torpedo mesmo.
- De que? Chata?
- Qualquer coisa do gênero. Então ele começou a esfriar comigo. Se eu tentava ficar na minha, ele então procurava-me e se eu ficasse um pouco mais calada era tida como mau-humorada.
Estou aqui cortando uma série de perguntas das demais amigas, cada uma com pontos de vistas semelhantes, sendo que algumas são mais frias tipo "mata e esfola". O que eu mais tenho ouvido falar são de amigas que "conhecem" homens virtuais e de repente eles são uns problemáticos vagantes.
- Ahhh... - continua ela ... e toda vez que íamos nos conhecer era um tal de: morreu fulano, enterrou ciclano, o ladrão entrou pela janela, o carro quebrou... arghhhh
Então ela disse algo que mecheu com todas! Maior burburinho, todas queriam comentar ao mesmo tempo e com direito aos ouvidos alheios que vieram dar graça contando outras histórias.
- ... e ele me ligou meio assim querendo não dizer, mas disse que não íamos nos falar nem nos ver novamente neste fim-de-semana, eu sentei desanimada e comecei a perceber uma coisa COMO ELE FALA!!! E TEM GENTE QUE ACHA QUE SÓ MULHER QUE FALA PELOS COTOVELOS! Aí eu me dei conta que sempre estou ouvindo e ele mal me ouve, que eu me interesso pelo que ele tem a dizer, mas ele nem quer saber como foi o meu dia ou como eu estou ou quais são meus planos!

Puxa, aí eu já estava era quieta e voando para o meu mundo, traçando paralelos.
Sim, como tem homens egoístas. Como tem homens que falam muito e nada ouvem, talvez para nos lubridiarem. Um jogo para perdermos o foco, o desejo de falar ou querer, o gosto e o prazer, e começar a desinteressar. Pode ser que nesta armadilha virtual, conheçam outras Marias, Anas, Silvias, Bias, etc, e façam do jogo das palavras o do amor prometido, a fim de ver onde vai amarrar o bode deles. Mas nem é preciso vagar nestes mundos intocáveis, jamais alcançados fisicamente, apenas mentalmente, para descobrirmos que muitas vezes não somente falamos sozinhas, como também não somos igualmente ouvidas. Eles são capazes também de falarem muito de si e simplesmente, quando saciados, dizerem que estão ocupados e precisam desligar.

Respirei fundo, afinal eu tinha mais sorte, era melhor ficar calada para evitar olho gordo.

Então voltei ao mundo, virei-me para minha amiga dos tempos da faculdade e perguntei curiosa:

- Paola, eu reparei que está usando um sobrenome diferente, é francês. O que aconteceu em tão pouco tempo ? - todas prestaram atenção para ouvir a resposta também.
- Adotei o nome de pedigree do meu cachorro. Cansei do ex...


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